Ir para o conteúdo
Área Cultura · Educación superior y ciencia
Sede Brasil

Co.liga chega a 100 mil estudantes inscritos em todo o país

A co.liga alcançou um marco expressivo: 100 mil estudantes, de todo o país, inscritos na plataforma. O número mostra o crescimento e a consolidação da escola como uma das principais iniciativas de formação e trabalho voltadas às juventudes no campo da economia criativa, cultura e tecnologia.

“A co.liga, ao chegar aos 100 mil estudantes inscritos na plataforma, se consolida para além das conexões de formação e experimentação profissional. Se afirma como iniciativa que promove o sentido comunitário dos projetos, elevando a economia criativa a instrumento de inserção da cidadania despertada na sociedade brasileira. A co.liga se torna educadora”, ressalta Telma Teixeira, coordenadora de cooperação da OEI no Brasil.

Criada pela Fundação Roberto Marinho em parceria com a Organização de Estados Ibero-americanos (OEI), e com a Motiva, por meio do seu instituto, como mantenedora, a co.liga é uma escola digital e gratuita que conecta formação, experimentação profissional e comunidade, por meio de uma ampla rede de parcerias e do fazer coletivo.

Mais de 60 editais realizados

Em quatro anos, realizou mais de 60 editais e projetos próprios, que garantiram oportunidades diretas aos estudantes, permitindo que eles coloquem em prática os conhecimentos adquiridos nos cursos. Entre as ações mais recentes está o edital realizado em parceria com a OEI, que selecionou 20 estudantes da co.liga para atuar durante a COP30, conferência do clima da Organização das Nações Unidas (ONU), realizada em novembro de 2025, em Belém.

O paraense Carlos Santos, de 27 anos, participou do programa. “A co.liga teve um impacto muito positivo na minha vida, especialmente pela vivência intensa na COP. Trabalhar com diferentes culturas e demandas me ensinou a lidar melhor com situações complexas, um aprendizado que levo para a vida”, conta. O jovem já fez dois cursos na escola e ressalta a importância da formação gratuita, o que possibilita que mais jovens possam se qualificar. “É uma iniciativa fundamental para quem quer adquirir experiência e, muitas vezes, não sabe por onde começar”.

Laboratórios físicos

Para apoiar o acesso desses jovens à plataforma, a co.liga busca a instalação de laboratórios físicos, em parceria com instituições locais. Hoje a escola tem 84 espaços de conexão em 49 municípios, dois deles viabilizados pela parceria com o Instituto Motiva abertos em São Luís e em Sorocaba. A parceria também deu origem ao edital Cultura em Movimento, primeiro projeto da co.liga voltado a coletivos de performances artísticas. Lançada no segundo semestre de 2025, a iniciativa prevê a realização de apresentações culturais de 12 coletivos em estações de transporte no Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador.

Rede co.ligada: mais de 130 parceiros

A rede co.ligada é um dos pilares que permite à escola fazer mais e melhor. Com mais de 130 organizações parceiras, entre entidades da sociedade civil, instituições públicas e privadas, a articulação amplia o alcance das ações, potencializa resultados e fortalece a atuação colaborativa da co.liga na promoção da inclusão produtiva em diferentes territórios.

Marina Magalhães, de 25 anos, conheceu a co.liga por meio de uma instituição da rede co.ligada, a organização Jovem de Expressão. Pela plataforma, teve acesso a cursos que já desejava fazer, mas que até então não havia conseguido realizar. “O curso da co.liga foi o primeiro curso profissionalizante na área de fotografia que fiz. Ele me ajudou a ter a fotografia não apenas como um hobby, mas como uma possibilidade profissional. A escola me fez ter outras percepções de vida e me possibilitou outras oportunidades. Foi muito importante para mim”, destaca a jovem do Distrito Federal que participou do Projeto Click, desenvolvido em parceria com o Instituto BRB em 2024.

Moradora de Fortaleza, Odaya Maria, de 25 anos, foi uma das co.ligadas escolhidas no edital de trabalho do MICBR 2025. Esta foi a segunda edição do Festival a contar com estudantes atuando no evento. “A minha experiência na co.liga foi muito especial, o edital trouxe a juventude de Fortaleza para atuar em um dos maiores eventos de Cultura do país. Isso me impulsionou a iniciar minha vida profissional na prática”, avalia.

A conexão entre formação e experimentação profissional é característica comum dos editais promovidos pela co.liga. Moradora da Zona Norte de São Paulo, Victória Teixeira, de 26 anos, hoje é uma profissional do audiovisual. Em 2023, ela participou do Projeto Meu Olhar, parceria da escola com a OEI e SPcine. Durante o projeto, ela participou de uma jornada intensa de formação e produziu seu primeiro curta metragem. O filme de Victória, assim como outras 23 produções, foi exibido pelo Canal Futura. “A co.liga foi um marco muito importante. O primeiro documentário que eu dirigi passou na TV e está na Globoplay. Isso tem um peso enorme na minha trajetória”, ressalta.

“Fico muito feliz em ver os editais que a escola realiza. Esses projetos possibilitam descobrir o trabalho de vários jovens pelo Brasil que, de outra forma, nunca veríamos”, observa Ana Letícia Gaião, que vive em Niterói, no Estado do Rio. Ela conheceu a co.liga na época do lançamento da escola e já participou de várias atividades como mobilizadora. “A co.liga mudou a minha vida. Como mobilizadora, eu indico bastante a escola para outros jovens, mas também faço isso no meu dia a dia com amigos e familiares. São cursos gratuitos, rápidos, que ajudam muito a desenvolver algumas habilidades e podem fazer a diferença profissionalmente”.

Cursos gratuitos de economia criativa

Hoje a co.liga oferece 58 formações, divididas em oito segmentos da economia criativa: artes visuais, design, gastronomia, moda, multimídia, música, patrimônio cultural e tecnologia, além de uma vertente de temas transversais que aborda assuntos como comunicação antirracista, escrita de projetos e empreendedorismo.

O foco nas juventudes é estratégico e responde a um cenário concreto. A economia criativa desponta como um campo fértil para a inclusão produtiva e segue em expansão: mais de 1,3 milhão de pessoas estavam formalmente empregadas no setor, segundo o Mapeamento da Indústria Criativa no Brasil de 2025. Ao mesmo tempo, a juventude enfrenta grandes desafios para concluir a educação básica, se qualificar e acessar o mercado de trabalho. Segundo a plataforma QEdu Juventudes e Trabalho, o grupo apresenta índices de desemprego e informalidade superiores aos da população adulta.

O avanço da economia criativa como setor produtivo no Brasil abre novas possibilidades de trabalho e renda, especialmente após a recriação da Secretaria de Economia Criativa pelo Ministério da Cultura, em maio de 2025, que ampliou o reconhecimento institucional e as políticas de fomento na área.

A co.liga vem se consolidando como um pilar estratégico ao preparar pessoas para atuar nesse campo, priorizando públicos mais vulnerabilizados. As mulheres representam 59% dos estudantes matriculados e as pessoas negras somam 65%, evidenciando o compromisso da escola com a equidade e a diversidade. Além disso, 47% dos alunos têm o ensino médio completo, mas não avançaram para o ensino superior, e mais da metade (52%) vive com renda familiar de até dois salários-mínimos.

Ao atingir 100 mil inscritos, a co.liga reafirma seu papel como uma plataforma viva de aprendizagem, articulação e oportunidades. O número representa o fortalecimento de um projeto que aposta na educação como caminho para ampliar horizontes, reduzir desigualdades e construir futuros possíveis para as juventudes brasileiras.

Publicado em 23 Fev. 2026