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Área Educação em Direitos Humanos, Democracia e Igualdade
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Pesquisa sobre vulnerabilidades e resistências da juventude brasileira é presentada no Rio de Janeiro

O Museu de Arte do Rio de Janeiro (MAR) foi palco da apresentação da pesquisa e do livro “Vulnerabilidades e resistências entre as juventudes brasileiras em contextos de desigualdades”, que analisa as condições de vida, os desafios e as capacidades de resiliência das juventudes brasileiras em um contexto marcado por profundas diferenças sociais.

Uma das principais conclusões do estudo é que a juventude brasileira, especialmente a mais vulnerável, foi profundamente afetada pela crise sanitária, econômica e social, que provocou desemprego precoce, interrupções na educação, deterioração da saúde mental e aumento de diversas formas de violência, incluindo as de caráter racial, de gênero e institucional.
No entanto, a pesquisa também destaca a capacidade de resistência e o protagonismo juvenil. O estudo mostra como os jovens desenvolveram redes de apoio, iniciativas culturais, espaços de participação social e formas inovadoras de organização comunitária para enfrentar contextos adversos.

A pesquisa foi liderada pela socióloga Miriam Abramovay, coordenadora do programa Estudos de políticas sobre juventude, educação e gênero da FLACSO (Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais).

O evento contou com a participação da Secretária Municipal da Juventude do Rio de Janeiro, Gabriella Rodrigues; da diretora da FLACSO Brasil, Rita Potyguara; e da Coordenadora Nacional da OEI no Brasil, Telma Teixeira, que destacaram a relevância do estudo como insumo para a elaboração de políticas públicas voltadas para os jovens. Também participaram as coordenadoras da pesquisa Miriam Abramovay e Marisa Feffermann.

O estudo foi realizado em três estados brasileiros: Rio de Janeiro, São Paulo e Piauí, a partir de uma abordagem qualitativa baseada no trabalho de campo e na escuta direta de jovens em diferentes territórios e contextos sociais.

O trabalho foi estruturado em torno de cinco eixos temáticos principais: educação, trabalho, violências territorialidades, tempo e expectativas para o futuro. Por meio desses eixos, a pesquisa analisa como os jovens brasileiros enfrentam desafios ligados à desigualdade social, à precarização do trabalho, à violência, à exclusão educacional e às incertezas sobre o futuro, particularmente no contexto pós-pandemia de Covid-19.

Durante a apresentação, Gabriella Rodrigues destacou que a pesquisa constitui uma ferramenta fundamental para a formulação de políticas públicas. “Compreender as múltiplas realidades dos jovens brasileiros é essencial para construir políticas inclusivas e eficazes que atendam às suas necessidades”, afirmou.

Por sua vez, Rita Potyguara observou que o estudo oferece uma visão profunda sobre as transformações vividas pelos jovens brasileiros. “As desigualdades afetam os jovens de maneiras diversas, atravessadas por fatores como raça, gênero, território e classe social, e esta pesquisa permite compreender essa complexidade”, expressou.

Telma Teixeira, coordenadora nacional da OEI no Brasil, destacou que o trabalho fornece contribuições estratégicas para a elaboração de políticas públicas. “Os jovens não são apenas destinatários de políticas, mas protagonistas da transformação social e do desenvolvimento democrático”, observou.

Miriam Abramovay explicou que o objetivo do estudo foi compreender as trajetórias dos jovens a partir da perspectiva dos próprios jovens, incorporando suas experiências, expectativas, frustrações e projetos de futuro. A abordagem adotada pela pesquisa permitiu analisar como fatores como a desigualdade social, a discriminação e a segregação territorial influenciam as oportunidades de vida dos jovens brasileiros.

A publicação constitui uma contribuição significativa para autoridades públicas, acadêmicos, organizações sociais e organismos internacionais, ao oferecer evidências e recomendações para o desenvolvimento de políticas públicas mais inclusivas e eficazes.

A apresentação do livro reafirma a importância do diálogo entre governos locais, academia e organismos internacionais para criar oportunidades e fortalecer o papel dos jovens como atores centrais do desenvolvimento social e democrático do Brasil.

Acesse o trabalho aqui

 

Publicado em 1 Abr. 2026