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Institucional/OEI

O português e o espanhol na ciência debatido em Lisboa

O português e o espanhol na ciência debatido em Lisboa

23 de maio de 2022

Portugal

Línguas

O relatório, promovido pela Organização de Estados Ibero-Americanos para a Educação, Ciência e Cultura (OEI), em colaboração com o Real Instituto Elcano “O português e o espanhol na ciência: notas para um conhecimento diverso e acessível”, foi apresentado no dia 20 de maio, no Teatro Thalia.

Esta sessão iniciou com as intervenções da Ministra da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior de Portugal, Elvira Fortunato, do Secretário-Geral da OEI, Mariano Jabonero, da Embaixadora de Espanha em Portugal, Marta Betanzos, e do Presidente do Real Instituto Elcano (RIEC), José Juan Ruiz.

O Secretário-Geral da OEI salientou a importância de uma ciência plurilingue e aberta, destacando o trabalho feito pela OEI e por outras entidades nesta área. Mariano Jabonero refere ainda que a promoção do português e do espanhol consiste “salvaguarda da diversidade, da contextualização do conhecimento e da luta contra o empobrecimento, da criatividade nos processos do ensino superior e do desenvolvimento científico.”

A Embaixadora espanhola chamou a atenção para a questão das vocações e para a importância de todos fazer chegar de forma transparente a ciência às novas gerações.

A Ministra reconheceu a necessidade de se desenvolverem estratégias e ferramentas para que outras línguas, além do inglês, se assumam relevantes no panorama global. Neste contexto, Portugal tem a intenção de promover redes de investigação transfronteiriças articulando instituições dedicadas à ciência e investigação com empresas e regiões; consolidar a presença do português nas instituições de ensino superior e alargar as cátedras e investigação em estudos portugueses; e estimular as ofertas internacionais e a entrada de estudantes não nacionais com a possibilidade de trabalhar em Portugal, incentivando a frequência do ensino superior em Portugal, essencialmente de estudantes dos países de língua portuguesa.

A apresentação do estudo esteve a cargo do seu autor, Angel Badillo, docente da Universidade de Salamanca e Investigador Principal do RIEC.

O documento começa por apresentar uma contextualização inicial da ciência e dos sistemas científicos contemporâneos na Ibero-américa, aborda os problemas identificados e, por fim, sugere uma série de recomendações para reflexão sobre as formas de promover uma ciência ibero-americana mais diversa e mais acessível.

Este relatório não pretende esgotar a complexidade do problema, tem como objetivo evidenciar as questões da diversidade cultural e linguística e do acesso à ciência, que só agora começam a figurar nas agendas das políticas nacionais ou da cooperação científica ibero-americana, graças ao surgimento do paradigma da “ciência aberta”.

A investigação centra-se em duas questões-chave, na proteção e promoção da diversidade e na garantia do acesso universal ao conhecimento científico, para discutir possíveis caminhos em direção a uma ciência que seja divulgada não só em inglês mas também noutras línguas, em conformidade com as declarações das organizações nacionais e internacionais latino-americanas para promover a ciência aberta e o uso do espanhol e do português na ciência.

O estudo identifica três tensões que emergem na ciência e na linguística latino-americana: desafios da produção e divulgação científica em português e espanhol, no contexto da importância dos mecanismos de avaliação; a tensão entre o livre acesso ao conhecimento científico, em que a América Latina é uma região pioneira e de referência e tendência para deslocar as línguas próprias em favor do inglês na publicação científica.

No debate, participaram Susana Catita, a Diretora do Centro de Ciência LP, Imma Aguilar Nàcher, Diretora da Fundación Española para la Ciencia y la Tecnología (FECYT), João Mendes Moreira, em representação da direção da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) e o Luís Reto, reconhecido investigador na área das línguas.

Imma Aguilar Nàcher enalteceu o valor do relatório, considerando que este explica muito bem quais são as forças do espanhol e do português na ciência, mas também identifica, diagnostica e propõe soluções para as grandes debilidades subjacentes ao espanhol e ao português na ciência, referindo que a vontade política e as alianças institucionais são determinantes para iniciar este caminho, assim como a cooperação entre a comunidade científica dos países ibero-americanos.

Susana Catita referiu que o relatório é inspirador para os falantes do português e do espanhol e para o trabalho com as Comunidades Científicas, salientando que o objetivo último do trabalho em curso, nomeadamente no Centro Ciência LP, não é o da substituição do inglês como língua de ciência, mas a promoção da ascensão do português - e do espanhol - a patamares que tornem as duas línguas mais universais e mais globais.

João Mendes Moreira estabeleceu paralelismo entre as recomendações do Relatório e o trabalho já em curso na FCT, tendo abordado a este propósito os temas da ciência aberta, o acesso aberto, e os modelos de comunicação científica.

Luís Reto salientou a necessidade de valorizar o multilinguismo e refere a necessidade de existir incentivos financeiros a revistas e a editoras que publiquem em português-espanhol.

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