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RICYT: Sociedade da Informação, desinformação, big data e digitalização no trabalho

RICYT: Sociedade da Informação, desinformação, big data e digitalização no trabalho

19 de novembro de 2021

Portugal

Ciência

No terceiro e último dia do XI Congresso Ibero-americano de Indicadores de Ciência e Tecnologia – “25 anos de RICYT: lições aprendidas e desafios futuros”, falou-se essencialmente de Sociedade de Informação na sua dimensão atual de informação, desinformação e big data, assim como de trabalho e digitalização.

No painel “15 anos do Manual de Lisboa: novos desafios”, Javier Echeverría, filósofo e membro da Academia Basca de Ciências, Artes e Letras, fez o retrato de uma sociedade de informação “enfeudada” aos gigantes privados, como os GAFAM – Google, Apple, Facebook, Amazon e Microsoft -, naquilo que designou como “vassalagem pura e dura”.

Echeverría afirmou que “a economia da big data está a superar a economia da informação e do conhecimento, com os próprios governos e organismos públicos a utilizarem os motores de busca dos gigantes privados”, e que “é preciso criar indicadores para analisar esta realidade”. O filósofo deixou um alerta para o baixo nível de qualidade de muito dados produzidos pelos gigantes privados e para o alto custo energético e ecológico dos “megacentros” de dados -Clouds -, propondo que se criem alertas para os utilizadores, com indicadores de uso e gastos.

Nuno Almeida Alves, do Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE-IUL), reforçou a ideia de que “há inúmeros operadores no mercado e um conjunto de empresas muito agressivas na produção e distribuição de dados que transmitem informação errada”, alertando para o perigo do não respeito pela privacidade dos dados pessoais. Almeida Alves defende que, “numa sociedade que discute custos de carbono, empresas como Google e Facebook têm de pagar a sua quota parte da poluição que causam ao desenvolvimento global”.

O diretor-geral do Gabinete de Estratégia e Planeamento do Ministério do Trabalho de Portugal, José Luís Albuquerque, referiu a importância do digital não só nas escolas, mas também nas empresas, e na formação em contexto laboral, tendo identificado desafios como a necessidade de novas competências digitais no trabalho, o agravamento das desigualdades e a proteção social dos trabalhadores. José Luís Albuquerque refere o «Livro Verde sobre o Futuro do Trabalho», que se encontra em fase de consulta pública, como um bom instrumento para refletir sobre a influência dos fenómenos das novas tecnologias no trabalho.

Os trabalhos do Congresso ficaram concluídos com a intervenção de Catarina Carreira, da Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC), que apresentou o Observatório das Competências Digitais, recentemente criado em Portugal. Trata-se de “um instrumento de acompanhamento, de tratamento de dados e de análise de resultados sobre a evolução das competências digitais da população, a produção de novos conhecimentos nas áreas digitais e a capacidade de exploração do potencial social e económico dos mercados digitais”.

O investigador e presidente da Comissão Parlamentar de Cultura e Comunicação, Alexandre Quintanilha, fez as honras da conferência magistral de encerramento, com uma reflexão sobre “Risco e Resiliência – O Papel do Conhecimento”. Uma exposição que partiu da ideia de que “o risco e a resiliência devem ser encarados na perspetiva de como escolhemos as trajetórias das nossas vidas, das vidas dos nossos países.” (…) “Cada vez estou mais convencido de que é importante transmitir a mensagem de que as decisões tomadas por políticos, nos governos ou nas instituições, devem ser baseadas no conhecimento mais robusto que tenhamos à disposição. Devem ser baseadas em literacia sólida”.

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