Geração em mudança – o impacto das migrações na Ibero-América
O documento «Geração em Mudança» reúne os resultados do III Ciclo de Diálogos entre jovens da Ibero-América sobre o impacto das migrações. O seu principal objetivo é integrar as vozes dos jovens na elaboração de políticas públicas de migração, a partir de um processo participativo com jovens de diferentes países. Ao longo de várias sessões, são analisadas experiências, perceções e problemáticas relacionadas com a migração, destacando a necessidade de passar do diagnóstico à ação concreta.
Uma das principais conclusões é a existência de uma forte discrepância entre os direitos reconhecidos e os direitos efetivamente exercidos pelos migrantes. Embora em muitos países existam quadros legais que garantem o acesso à saúde, à educação ou ao trabalho, na prática persistem barreiras administrativas, discriminação e falta de recursos que impedem o seu cumprimento. Isto gera exclusão e desperdício do potencial dos migrantes, especialmente entre os jovens.
O relatório também salienta que as narrativas mediáticas e a desinformação influenciam negativamente a perceção social da migração, associando-a frequentemente à insegurança ou à criminalidade, apesar de não existirem provas que sustentem essa relação. Esta distorção contribui para a xenofobia e dificulta a integração, pelo que se coloca a necessidade de intervir no domínio da comunicação através da educação mediática e de campanhas baseadas em dados reais.
Outro ponto-chave é a identificação de um «bloco invisível» de jovens migrantes, que não são plenamente considerados nas políticas públicas. Este grupo, que atravessa simultaneamente processos de transição pessoal e migratória, enfrenta vulnerabilidades específicas sem receber a devida atenção. Além disso, o documento destaca a situação das mulheres migrantes, que sofrem de uma vulnerabilidade interseccional, combinando desigualdades de género, idade, origem e estatuto migratório.
Por fim, o relatório propõe uma série de recomendações de política pública organizadas em vários eixos, tais como garantir direitos independentemente do estatuto migratório, combater a xenofobia, melhorar a integração social e laboral e promover a participação ativa dos jovens migrantes na tomada de decisões. O documento conclui com um apelo urgente à ação, salientando que os jovens não são apenas beneficiários, mas também agentes-chave de mudança na construção de sociedades mais inclusivas.


