A imprensa ibero-americana debate sobre comunicação e democracia, em um diálogo organizado pela OEI

Durante o encontro, foi apresentado o nº 2 da revista Ibero-América em Democracia, publicada pela OEI. A edição, intitulada “Democracia sob tensão: ação, negação e desencanto”, pode ser baixada gratuitamente no site da organização.
Qual é o papel do jornalismo no fortalecimento da cultura democrática e da cooperação na Ibero-América? O que ainda falta para enfrentar a desinformação atual? Essas foram algumas das questões centrais do evento “Democracia sob tensão: ação, negação e desencanto”, um diálogo aberto com a imprensa ibero-americana realizado nesta quinta-feira, 19 de março, pela Organização de Estados Ibero-Americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI).
Com a participação de profissionais de veículos como Agência EFE, El Español, Europa Press, RTVE, El País, La Jornada (México), Next Educación e Periodistas en Español, também participaram do diálogo Mariano Jabonero, secretário-geral da OEI, e Ramón Jáuregui, ex-eurodeputado, ambos idealizadores da plataforma Ibero-América em Democracia, iniciativa lançada pela OEI em 2025 para promover a defesa e o fortalecimento da democracia na Ibero-América. O evento foi realizado no âmbito dessa iniciativa.
O evento serviu como espaço para compartilhar diagnósticos e propostas em torno de um dos principais desafios das democracias contemporâneas: a desinformação. Os participantes concordaram com a necessidade de reforçar o papel do jornalismo rigoroso, superar a precarização no jornalismo e apostar na proteção da segurança dos comunicadores e na qualidade do debate público na região.
“Vivemos em uma sociedade exausta e em uma sociedade do cansaço”, comentou o secretário-geral da OEI, para quem “na Ibero-América continuamos mantendo um nível de produtividade muito baixo e enfrentamos desafios como as migrações ou a segurança, o que está gerando discursos políticos xenófobos e simplistas”. “Uma sociedade educada, culta e tecnificada é menos propensa ao engano”, enfatizou.
Jáuregui fez uma análise detalhada dos “graves problemas da região” que motivaram o impulso deste projeto: “um século XX de grande conflito político que não deu origem a um hábito democrático, desigualdades lacerantes, incapacidade de responder a demandas sociais vitais, violência e corrupção; uma realidade que nos coloca sempre na cauda dos rankings internacionais”. “A democracia latino-americana também se enfraqueceu diante da submissão à atual doutrina Monroe. É preciso superar clichês ideológicos e fortalecer os Estados”, destacou.
Além disso, no contexto do encontro, foi lançado o segundo número da revista Ibero-América em Democracia, publicação da OEI que busca fomentar uma reflexão crítica e plural sobre os desafios atuais da região. Sob o título “Democracia sob tensão: ação, negação e desencanto”, a nova edição reúne cerca de vinte artigos assinados por acadêmicos, analistas e gestores públicos de destaque, que analisam, sob diferentes perspectivas, as múltiplas pressões enfrentadas hoje pelos sistemas democráticos ibero-americanos.

Esta edição percorre temas centrais como a pós-democracia, os impactos das mudanças climáticas, o avanço da inteligência artificial, o papel da educação e das universidades, além das tensões políticas associadas a fenômenos como a reeleição indefinida e o enfraquecimento institucional. Também traz reflexões sobre questões emergentes, como economia feminista, migração, governança e o papel dos meios de comunicação locais na defesa da democracia.
A revista faz parte da plataforma Ibero-América em Democracia, iniciativa da OEI voltada à promoção de valores democráticos na região por meio da produção de conhecimento, do diálogo multiator e da participação cidadã. Entre suas atividades, destacam-se, além da publicação, a realização de fóruns, entrevistas e encontros como o promovido nesta quinta-feira, em Madri, com o objetivo de contribuir para uma cidadania mais informada, crítica e inclusiva.
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