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Estudo sobre nutrição infantil alerta que 3,6 milhões de crianças na América Latina têm atraso no desenvolvimento

Dado é apresentado no estudo 'Nutrição na primeira infância: situação e desafios atuais na América Latina e no Caribe', elaborado pela OEI e Fundação Ibero-Americana de Nutrição (FINUT).

Mais de 152 mil crianças morreram na América Latina e no Caribe somente em 2022 devido a deficiências nutricionais, mais da metade delas com menos de 28 dias de vida. Esse resultado revelador faz parte do relatório Nutrição na primeira infância: situação e desafios atuais na América Latina e no Caribe, promovido em conjunto pela Organização de Estados Ibero-Americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI) e pela Fundação Ibero-Americana de Nutrição (FINUT).

O relatório, que faz parte das ações do Programa Regional da Primeira Infância da OEI e de sua Rede Ibero-Americana de Administrações Públicas para a Primeira Infância, realizou uma revisão bibliográfica de quase uma centena de publicações científicas, bem como elaborou relatórios para organizações internacionais e governos de 2014 a 2024, com o objetivo de analisar a situação atual e os principais desafios da nutrição infantil enfrentados pela região e propor recomendações para superá-los até o final desta década.

O estudo adverte que, na região, há 3,6 milhões de crianças entre 3 e 4 anos de idade com atraso e em risco de não atingir seu pleno potencial devido a deficiências nutricionais, das quais uma em cada três vive em áreas rurais, pertence a famílias mais pobres e com menos instrução. Também destaca que crianças com desnutrição crônica têm duas vezes menos possibilidade de desenvolver adequadamente habilidades de alfabetização e numeramento.

Quanto aos recém-nascidos, o relatório alerta que 1 em cada 10 crianças da região estava abaixo do peso (2.500 gramas) ao nascer, situação mais acentuada no Caribe (11,7%) e na Mesoamérica (10,9%). De fato, em alguns países já é considerado um problema de saúde pública, afetando quase 1 em cada 2 recém-nascidos.

Por outro lado, o estudo aponta que, na região, 5,7 milhões de crianças têm atraso no crescimento, sendo até 5 vezes maior em crianças indígenas com menos de 5 anos de idade. Nesse sentido, ressalta que a anemia por deficiência de ferro é o maior problema de saúde pública relacionado às deficiências de micronutrientes, presente em 16,5% das crianças entre 6 meses e 5 anos de idade, ou seja, quase 12 milhões de bebês. O Haiti é o país da região mais afetado por esse problema, com 40% de seus menores de cinco anos nessa situação.

Quanto à obesidade, o relatório evidencia que é um problema crescente na região, atingindo 4,2 milhões de crianças latino-americanas e caribenhas, isto é, 8% da população. Embora o aumento seja generalizado, há disparidades no aumento percentual entre regiões e países.

Além disso, analisa os fatores ambientais que podem ter impacto sobre a saúde e a nutrição de mães e filhos, bem como a influência de situações de conflito, crises e emergências humanitárias na região sobre o desenvolvimento nutricional e integral das crianças.

Também apresenta um conjunto de recomendações de políticas, programas e intervenções, destacando o incentivo à promoção e proteção do aleitamento materno, bancos de leite humano e alimentação complementar adequada ou a priorização de estudos e sua categorização em dois grupos: da gestação até menos de 2 anos de idade (primeiros 1000 dias) e crianças de 2 a 5 anos de idade (segundos 1000 dias), que requerem intervenções nutricionais específicas e direcionadas, entre outros.

A voz dos especialistas

Durante um café da manhã de trabalho, realizado na sede da Secretaria-Geral da OEI na quarta-feira, 26 de março, especialistas em diversas áreas relacionadas à primeira infância de diferentes setores, como do setor educacional, de administrações públicas e organizações internacionais, tiveram a oportunidade de discutir e refletir sobre os resultados do relatório.

Durante o evento, Mariano Jabonero, secretário-geral da OEI, ressaltou que “a insegurança alimentar afeta 40% da população de uma região que poderia alimentar o mundo”. Também destacou que “milhões de crianças vão para a escola com fome, e com fome não se aprende”. “Nosso objetivo com esse relatório é oferecer evidências para criar políticas públicas”, acrescentou.

Tamara Díaz, diretora-geral de Educação e Formação Profissional da OEI, enfatizou que “para a OEI, as questões da primeira infância tem uma longa trajetória. Com base no trabalho realizado com a Rede Ibero-Americana de Administrações Públicas para a Primeira Infância, todos os anos trabalhamos com temas específicos e, nesta ocasião, foi decidido por unanimidade trabalhar com nutrição. “Trata-se de conhecer os dados e as propostas existentes a esse respeito, com a ideia de continuar avançando no desenvolvimento de nossas crianças mais novas”, apontou.

O evento contou com a presença de Beatriz Martinez Guijarro, chefe da área de Infância e Adolescência da Direção-Geral da Infância, Família e Fomento da Natalidade da Comunidade de Madri; Rafael Urrialde de Andrés, especialista em Alimentação, Segurança Alimentar, Nutrição e Sustentabilidade, e Susana Ares Segura, coordenadora do Comitê de Nutrição e Aleitamento Materno da Associação Espanhola de Pediatria e médica especialista do serviço de Neonatologia do Hospital Universitário La Paz (Madri).

Também estiveram presentes Blanca Carazo, chefe da Unidade de Programas da Direção de Influência, Programas e Alianças do UNICEF; Conceição Baptista, técnica superior da Direção-Geral da Educação, Ministério da Educação, Ciência e Inovação de Portugal; Almudena Rollán Gordo, subdiretora-geral de nutrição da Agência Espanhola de Segurança Alimentar e Nutrição e Rosaura Leis Trabazo, presidenta da Fundação Espanhola de Nutrição e presidenta do Comitê de Nutrição e Aleitamento Materno da AEP, com a moderação de Jair Esquiaqui, da área de Comunicação da OEI.

Publicado em 26 Mar. 2025