Mulheres na ciência: quais países lideram a paridade em uma região marcada por desigualdades?

Quatro em cada dez pesquisadores ibero-americanos são mulheres. Alguns países, como Argentina, Paraguai e Uruguai, apresentaram maior paridade em relação aos seus pares masculinos.
No âmbito da comemoração do Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, celebrado em todo 11 de fevereiro, a Organização de Estados Ibero-Americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI) compartilha um panorama atualizado sobre o acesso e a participação das mulheres na ciência da região.
Os dados são provenientes do Observatório Ibero-Americano da Ciência, Tecnologia e Sociedade da OEI, com sede em Buenos Aires, a partir de pesquisas realizadas em 2025 pela Rede Ibero-Americana de Indicadores de Ensino Superior (Red INDICES, www.redindices.org) e pela Rede Ibero-Americana de Indicadores de Ciência e Tecnologia (RICYT, www.ricyt.org). Esse esforço conjunto permite dispor de informações comparativas e sistemáticas para compreender os avanços e os desafios pendentes em matéria de igualdade de gênero nos âmbitos do ensino superior e da ciência.
Assim, os dados revelam que quatro em cada dez pessoas que pesquisam na Ibero-América são mulheres. Embora esse número reflita um progresso sustentado nas últimas décadas, a situação apresenta diferenças importantes entre os países. Argentina, Paraguai e Uruguai alcançaram níveis de paridade e até mesmo ultrapassam 50% de participação feminina na pesquisa. Em contrapartida, em países como Colômbia, Chile e Peru, as mulheres representam menos de 40% do total de pesquisadores.
Nos contextos em que as mulheres são minoria nos cargos de pesquisa, sua presença é maior em funções de apoio à pesquisa. É o que ocorre na Bolívia, Chile, Espanha e Portugal, onde elas superam 50% do pessoal de apoio.
A análise por setor de inserção também mostra desigualdades. Na maioria dos países da região, a participação das mulheres nas empresas é menor do que nas universidades ou centros públicos de pesquisa. No Chile, Espanha, Peru e Portugal, por exemplo, apenas três em cada dez pesquisadores que trabalham no setor empresarial são mulheres.
Quanto às áreas de especialização, as pesquisadoras ibero-americanas concentram-se principalmente nas ciências médicas, humanas e sociais. Sua presença é menor em campos como ciências naturais e exatas, ciências agrícolas, engenharia e tecnologia, onde as disparidades de gênero continuam sendo significativas.
No âmbito do ensino superior, as mulheres são maioria tanto na entrada (57%) quanto na saída (58%). Além disso, em 2023, elas representavam metade dos estudantes internacionais matriculados em universidades da região. Esses dados refletem um amplo acesso à formação universitária, embora isso não se traduza automaticamente em igualdade em todos os níveis da carreira científica.
De fato, à medida que o nível de formação acadêmica aumenta, a participação feminina diminui. A proporção de mulheres em programas de doutorado é menor do que no nível de graduação, e essa tendência não apresentou mudanças significativas entre 2014 e 2023. No nível de doutorado, Chile, Colômbia, Costa Rica e República Dominicana registram alguns dos valores mais baixos da região, com menos de 45% de mulheres em relação aos seus pares masculinos.
Os campos de estudo escolhidos pelas mulheres são coerentes com sua área de pesquisa. Áreas como saúde, educação, humanidades e ciências sociais atingem cotas que ultrapassam 60%, enquanto em tecnologias da informação e comunicação (TIC) e engenharias sua participação não chega a 30%.
No Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, esses dados convidam a reconhecer os avanços alcançados na Ibero-América, mas também a redobrar os esforços para garantir trajetórias científicas mais equitativas, promovendo condições que favoreçam a permanência, a liderança e a plena participação das mulheres em todos os campos do conhecimento.





