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Sergio Ramírez (escritor): “Um professor precisa ser um leitor apaixonado para ensinar a ler”

Nesta terça-feira, na sede da OEI em Madri, foi realizado um colóquio que analisou as principais conclusões de um relatório que detalha os hábitos de leitura dos jovens na Ibero-América.

Os jovens realmente leem. Mas como eles fazem isso? Essa foi a pergunta que orientou o colóquio Além do mito sobre a leitura entre jovens e adolescentes na Ibero-América, à luz das conclusões do relatório Práticas e percepções de leitura entre adolescentes e jovens na Ibero-América, publicado pela Organização de Estados Ibero-Americanos (OEI), com a colaboração do CERLALC e da AECID. O relatório, publicado em janeiro de 2026, oferece uma visão atual sobre essas relações e fornece contribuições para a elaboração de políticas e ações educacionais e culturais voltadas para essa população.

Sergio Ramírez, escritor nicaraguense, comemorou os dados apresentados no relatório, ao mesmo tempo em que destacou o papel dos professores nessa nova realidade do panorama da leitura na região; mas alertou: “um professor precisa ser um leitor apaixonado para ensinar a ler bem”. Durante sua intervenção, ele também destacou o papel dos novos formatos de criação de conteúdo, sobretudo em ambientes digitais. [Hoje] “não se trata apenas de escrever a história, mas de representá-la e levá-la para a tela”, destacou.

Além disso, ele destacou que “o pensamento crítico está presente na literatura por meio da ficção e, com ela, a contradição se consolida: não há pensamento crítico sem conflito e sem contradição”. “Sem o pensamento crítico que a leitura proporciona, ficamos mais vulneráveis à demagogia”, concluiu.

“A leitura é um elemento fundamental para promover a saúde mental entre meninos e meninas, e é preciso trabalhar para que ela faça parte das políticas públicas”, destacou Mariano Jabonero, secretário-geral da OEI, lembrando que essa tem sido uma das apostas mais decididas da organização, o que se traduziu em um acordo histórico com a Santa Sé  e os ministros da região.

“O relatório traz dados surpreendentes, mas o primeiro e mais básico é que os jovens leem; o que acontece é que não sabemos o que eles leem nem como leem”, destacou ela, ao mesmo tempo em que alertou que, na região, “a prática da leitura ainda está associada à classe social”.

Julia Higueras, jornalista espanhola e editora da revista Anoche tuve un sueño, destacou, a respeito do papel da mídia, que “nós, jornalistas, temos a grande responsabilidade de narrar a realidade, e a realidade mudou; os formatos também, e a mídia deve evoluir para além dessa visão adulta”. “A leitura é a ferramenta para que os sonhos se tornem realidade; ela ajuda os jovens a chegarem aonde querem estar”, enfatizou.

O colóquio foi moderado por Charo Izquierdo, jornalista e diretora da seção Enclave ODS do jornal El Español, e pode ser assistido na íntegra pelo canal do YouTube da OEI.