Um projeto guatemalteco de participação e empodera-mento juvenil como alternativa à violência vence a fase internacional do 6º Prêmio “Óscar Arnulfo Romero” da OEI

A iniciativa “Ix Balam”, da Associação PERBIPERSE, conquistou o primeiro lugar neste prêmio, no valor de 8 mil dólares, que foi entregue nesta quinta-feira durante um diálogo de alto nível que colocou a educação em direitos humanos no centro do debate.
A iniciativa Ix Balam, promovida pela Associação PERBIPERSE da Guatemala, conquistou o primeiro lugar na fase internacional do 6º Prêmio Ibero-americano de Educação em Direitos Humanos “Óscar Arnulfo Romero”, um prêmio da Organização de Estados Ibero-Americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI) que, desde 2015, reconhece o trabalho de organizações que promovem e defendem os direitos humanos na região.
A cerimônia de premiação ocorreu nesta quinta-feira no auditório da Universidade de Deusto, em Bilbao (Espanha), no âmbito de um diálogo de alto nível realizado durante as “Jornadas de Educação em Direitos Humanos no Contexto Ibero-americano”, um encontro regional que contou com o cofinanciamento do Governo Basco e da Agência Espanhola de Cooperação Internacional (AECID), e que teve como objetivo impulsionar a defesa e a promoção dos direitos humanos por meio da educação como ferramenta de transformação social.
O projeto vencedor, Ix Balam, é um exemplo de desenvolvimento a partir do território. Ele se desenvolve em torno da Casa Aberta Comunitária, em Mixco — área metropolitana da capital —, em um espaço integral onde se promove a autossustentabilidade e o empreendedorismo juvenil. Por meio desse projeto comunitário, os jovens encontram uma alternativa poderosa e transformadora, por meio da educação em valores, utilizando a arte e a ritualidade como instrumentos para a construção da paz e da convivência.
Inspirado na figura protetora de Ix Balam, da mitologia maia, o projeto acompanha famílias, mulheres, jovens e crianças afetadas pela violência e pela exclusão por meio de terapias gratuitas, oficinas de empoderamento e propostas educacionais sensíveis. Assim, o júri quis reconhecer uma alternativa às maras, com base no respeito aos direitos humanos e à democracia.
Entre suas ações, destacam-se o atendimento psicológico a crianças, adolescentes e mulheres vítimas, bem como o trabalho com famílias para fortalecer os laços e os processos de recuperação. No total, o projeto beneficia diretamente cerca de mil pessoas por ano e está profundamente enraizado na comunidade.
O segundo lugar foi concedido à iniciativa “Livros nos pavilhões”, da Fundação As (Argentina), que promove o acesso à leitura em contextos de privação de liberdade por meio de oficinas de escrita criativa, bibliotecas em centros penitenciários e ações de integração cultural. Com mais de 13.000 livros doados em 60 estabelecimentos prisionais em nove províncias do país, o projeto promove a leitura e o acompanhamento com formação em valores como uma ponte para a autonomia, a expressão e a construção de novos projetos de vida.
Por sua vez, o terceiro lugar ficou com o projeto “Escuela Sin Fronteras”, da Associação Hospitalidad y Solidaridad (México), uma iniciativa que garante o acesso a uma educação formal, inclusiva e de qualidade para meninas, meninos e adolescentes em situação de mobilidade em Tapachula, Chiapas, ou seja, migrantes em situação de extrema vulnerabilidade. O projeto fortalece aprendizagens essenciais, promove o bem-estar emocional e a convivência e facilita a continuidade educacional das crianças migrantes, ao mesmo tempo em que envolve as famílias e reforça a formação dos professores em inclusão.
Além disso, o júri decidiu destacar, entre os 20 projetos vencedores em seus respectivos países, mais três com menção especial, ligados a temas de grande relevância na atualidade, como a prevenção em saúde mental no contexto das redes sociais, a participação democrática dos jovens, a educação para a sustentabilidade e a ação responsável no território. Estes foram: “Geração Laranja: Patrimônio como Promotor da Saúde Mental”, do Instituto de Imersão Cultural Stay to Talk (Portugal); “As eleições democráticas: 60 anos formando cidadãos ativos”, da Fundació Escoles Garbí (Espanha), e “Territórios Únicos: Educação para a Sustentabilidade”, da Fundação Educação 2020 (Chile).
O Prêmio Ibero-americano de Educação em Direitos Humanos “Óscar Arnulfo Romero” é uma das iniciativas mais emblemáticas da OEI e, desde sua criação em 2015, já recebeu mais de 2.500 projetos de toda a região, destacando experiências inovadoras que contribuem para reduzir as desigualdades, combater a discriminação e fortalecer os direitos fundamentais na Ibero-América.
Nesta edição, o primeiro prêmio é no valor de 8 mil dólares, enquanto o segundo e o terceiro lugares recebem 5 mil e 3 mil dólares, respectivamente, para serem reinvestidos no desenvolvimento e no fortalecimento dessas iniciativas.











