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Ciência plurilingue: desafios e oportunidades das línguas na ciência

Línguas na Ciência

O OEI considera que a diversidade cultural e o multilinguismo têm um papel crucial a desempenhar na promoção de sociedades plurais abertas a um conhecimento mais participativo e equitativo e à coesão social.

Embora seja evidente que o uso de uma única língua internacional da ciência facilita a disseminação do conhecimento além das fronteiras nacionais e culturais, a preponderância de uma língua sobre outras, neste caso a língua inglesa, atua como guardiã do discurso científico (Tardy, 2004).

Neste sentido, é claro que a hegemonia de uma língua sobre outras no campo da ciência promove e reforça uma certa conceção de preponderância de um determinado ponto de vista cultural sobre outros, que tem enorme significado em termos de pensamento, mas também em termos de acesso ao conhecimento e posicionamento na escala nacional, no campo da pesquisa e da ciência.

Por outro lado, ao manter outros idiomas em segundo plano, a uma grande distância, os media tradicionais e os canais de comunicação científica também tendem de alguma forma a ignorar as culturas e perspetivas das comunidades que não falam inglês.

Considerando a proximidade linguística, cultural e, em muitos casos, geográfica do espanhol e do português, é relevante pensar nos dois idiomas juntos, assumindo que eles formam o maior bloco linguístico pluricêntrico com crescimento significativo.

A Declaração de São Francisco de 2012 deixou diretrizes bem reconhecidas no campo científico sobre a importância desta questão no campo da pesquisa científica e salienta que é necessário avaliar pelos méritos em si e não pelos fatores de impacto, os quais também devem ser reconsiderados para pesá-los adequadamente nos processos de financiamento, nomeação e promoção (Badillo, A. CILPE 2019).

Por outro lado, a Iniciativa de Helsinki lançou, em 2019, "Multilinguismo na Comunicação Científica". Através da sua campanha "Em todas as línguas", convida os formuladores e gestores de políticas científicas, organizações, redes, universidades, instituições de investigação, financiadores de investigação, bibliotecas e investigadores a promover o multilinguismo na comunicação científica, mantendo a investigação viva e divulgando os seus resultados nas suas próprias línguas para que sejam relevantes localmente e utilizados em toda a sua extensão.

Através do seu Manifesto, eles argumentam que a infraestrutura de comunicação científica em línguas nacionais é frágil e, portanto, exigem que os investigadores sejam reconhecidos por disseminar os resultados da investigação além da academia, interagindo em termos de património, cultura e sociedade e garantindo que o acesso igualitário ao conhecimento científico seja oferecido em diferentes línguas.

O movimento exige a promoção da diversidade linguística nos sistemas de avaliação e financiamento de investigação e exige que, nos processos de revisão pelos pares, a investigação de alta qualidade seja avaliada independentemente do idioma de publicação ou do canal de publicação, e que, quando forem utilizados sistemas baseados em métricas, seja dada a devida consideração às revistas e livros em diferentes idiomas. 

Português e espanhol na ciência

No âmbito do Projeto Ciência Plurilingue, a OEI promove o estudo “Desafios e Oportunidades da Ciência em Português e Espanhol” em colaboração com o Real Instituto Elcano.

O estudo tem como objetivo  investigar a forma de acesso e participação e o lugar dos cientistas ibero-americanos em relação ao espanhol e ao português no ambiente académico internacional.

Através de painéis de consulta e entrevistas especializadas, o projeto coligiu informação sobre os desafios e oportunidades enfrentados por ambos os idiomas no campo da ciência. Além disso, investiga as perspetivas que permitirão avaliar as possibilidades de colaboração nesta área e a constituição de uma rede piloto nesta área.

O projeto contribuirá também para analisar como se promove a produção científica, assim como as redes de conhecimento e intercâmbio e as plataformas de difusão que utilizam as duas línguas e que promovem a circulação transversal dentro das instituições do espaço ibero-americano de ensino superior.

A iniciativa assume que a promoção de "ferramentas de circulação de acesso aberto em espanhol e português, o reconhecimento do impacto das publicações nos nossos idiomas nos sistemas científicos, a mobilidade dos investigadores e a produção de repertórios de terminologia atualizados são algumas das medidas que devem ser revistas e aprimoradas". (Badillo, Á., CILPE 2019)

O projeto desenvolve-se em torno de várias etapas:

ETAPA 1: Identificação de profissionais, especialistas, entidades e documentos. Coleção de referências de documentos para avançar em direção à configuração de uma rede piloto.

ETAPA 2: Realização de painéis de consulta e recolha de contributos. O projeto é desenvolvido em torno de 4 painéis de consulta, assim como entrevistas a entidades especializadas e de referência na área.

1º Painel dedicado a especialistas e investigadores, 2º Painel especializado para representantes institucionais

3º Painel de Repositórios Científicos

4º Painel de Editores ligados ao campo da Ciência.

Consultas com entidades e especialistas relevantes especializados na área.

ETAPA 3: Elaboração de um documento de recomendações que oferecerá diretrizes com base na recolha de dados, informações e perceções dos quatro painéis realizados.

 ETAPA 4: Evento aberto ao público com divulgação dos resultados.

ETAPA 5: Entrega do relatório final e configuração da rede piloto colaborativa 2021-2022.

Resultados do projeto

No final do projeto, espera-se que ele tenha contribuído para:

1. Identificar objetivos comuns dos atores públicos, privados e da sociedade civil frente a este desafio.

2.  Avaliar a situação com base na reflexão e no diálogo compartilhado com especialistas e chefes de entidades, instituições, academias, editoras e repositórios científicos.

3. Ter um documento de recomendações que reunirá contribuições ligadas às seguintes questões:

        • A importância dos idiomas espanhol e português no espaço ibero-americano da ciência e do ensino superior.

        • A importância da livre circulação do conhecimento científico na Ibero-América, especialmente aquele produzido com fundos públicos de investigação.

        • Identificação de conteúdos e diretrizes para considerar a importância dos dois idiomas nos processos de avaliação científica, nos índices de impacto existentes e na carreira científica dos investigadores ibero-americanos.

 

 

O documento será disponibilizado aos órgãos e fóruns em que a OEI participa nas esferas educativa, cultural e científica.  O processo tornará possível avançar na criação de uma rede piloto para colaboração neste campo.

Entidades envolvidas: investigadores, professores, chefes de entidades ligadas à ciência e à investigação. Também representantes de editoras relacionadas com a ciência e repositórios científicos, assim como observatórios e outras entidades de investigação interessadas em promover a dimensão plurilingue da ciência.

O projeto conta com o apoio do Observatório da Ciência, Tecnologia e Sociedade (OCTS) da OEI Argentina.

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